sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Seresteira intangível

   Ela é esquisita. Muito quieta e retraída. É difícil alguém ousar olhar pra ela, quem dirá então se atrever a puxar uma simples conversa.
   Ela é triste, se sente só, mas guarda isso pra si, não quer incomodar ninguém. Muitas vezes se esforça, se controla para que as lágrimas não rolem em público, na claridade do dia a dia. As vezes não consegue ser tão forte e elas caem como pesos de chumbo, mesmo assim não há quem as note.
   Ela está ali, mas é como se não estivesse. Ela é invisível aos olhos alheios. Isso não é humanamente possível, mas é como é.
   Ela está sempre ali, na penumbra, nas sombras, a última a ser escolhida ou lembrada, isso quando não é, sem dó nem piedade, excluída.
   Ela acha que isso um dia ainda possa mudar. Apesar de tudo resta um fio de esperança. Ela só queria disto compartilhar.
   Ela não conhece a alegria de ter amigos reais, presentes, que possam entender ou interessar-se por seus sentimentos.
   Ela nunca amou, mas sempre soube escolher a dedo gostar daqueles que não a vêem. É sempre algo impossível, doloroso, mas atraente. O desconhecido e inatingível se torna muito mais interessante a esses olhos que só sabem amar por palavras e rimas.
   Ela só queria saborear, se deleitar com estas sensações naturais mas tão incomuns. Ah, ela só queria viver verdadeiramente.
   É, não se espante. Ela existe sim, mesmo que pareça que não. Ela tem coração. Não destrua sua última e suplicante confissão.
   Seu mundo é dos livros... Não há nenhuma razão.

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