domingo, 10 de agosto de 2014

Laço invisível

   Quando o vi lá deitadinho naquele banco de trás, o semblante adormecido, calmo, sereno, parecia a criatura mais bela que já tinha visto. Foi intenso o desejo de tocá-lo naquele momento, poder sentir sua respiração, seu toque, sua pele... Ah, se soubesses... Criei coragem, estava quase chegando lá, mas então um grito veio e lhe acordou; eu, mais do que rapidamente retirei minha mão e ele, coitado, de tão adormecido que estava nem percebeu e saiu perambulando pelo corredor com a vergonha e o sono estampado no seu inexpressivo rosto.
   Após aquele breve momento fiquei lá deitada, com o olhar nas estrelas e naquela noite inatingível. Ah, aquele peito subindo e descendo num terno respirar da vida, um segundo de descanso e lá a frente estava com ele a pensar. Estranho e natural ao mesmo tempo. Tadinho, não sabia o que fazer, tão bonitinho daquele jeito relaxado (depois de um dia tenso provavelmente) merecia aquele breve descanso. Como poderia então acordá-lo? Só conseguia ficar lá parada a olhá-lo, ou melhor, contemplá-lo.
   Bom, nada percebeu (logo percebi). Por um lado que alívio, já pensou, por outro decepção, quem dera fosse. Sonho, isto é, fantasia impossível. O que faz-me pensar que em mim iria notar. Boba mesmo, como sempre. Mas foi tão, tão especial (sem explicação).
   Já houveram outros momentos... Devo estar confundindo tudo, só pode. Isso é loucura! Resultado daquilo que por instantes passa esta confusa vida. Aiaiai é preciso parar logo com isso, antes que seja tarde demais... Nem queira pensar nisso seu danado coração.

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