terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Remexendo / Recolhendo Sensações

   Já passou uma hora e eu aqui com o lápis na mão; O caderno implora, clama, chora, mas as palavras estão mudas, apagadas.
   O olhar treme. Suspira. Corre. Lá fora só há pinheiros verdes, o céu nublado e piar triste de um passarinho mal afortunado.
   As ondas do rádio falam em outra estação, mas o coração continua no seu.
   Aqui deitada nessa cama só os pensamentos me fazem companhia... Lembranças de nós dois escorrem pela janela à dentro, fugindo do tumulto que encontra lá fora.
   Ninguém sabe. Ninguém percebe. Minha única melodia toca Você.
   O sono vai batendo; os sonhos me chamam outra vez e eu fico aqui a esperar um reles rever.
   Pelas nuvens, os planetas do universo, as borboletas e carijós voam por um simples desejo de viver. Estrelas e constelações a iluminar este solitário ser.
    Alegria. Felicidade. Não sei mais escrever. 
   Como expressar esse sentimento ardente e amoroso?!
   Não te tenho aqui. Jamais o terei. Agora faz parte de outra composição. Esqueceu de vez esta iludibriável / nostálgica canção.
   Mata-me de pedaço em pedaço; o quebra-cabeça vai se desmanchando, deformando até o mais infinito e ilusório abstrato.
   Nomes... Para quê nomes? Não é bem melhor assim, sem definições, distinções ou demarcações?!     Cada um sendo livre ao seu jeito único de ser. Cada qual sendo você.
  Morrer para viver; Viver para morrer.
  Qual o sentido disso se não possuo mais aquela sinfonia no deleite do meu irrequieto dizer.
  Uma força sem igual; Um poder sobrenatural.
  É assim que é o amor que vive em mim, em ti, sem nem sequer saber.
  Basta. Só nos resta esquecer...

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